Pra onde vou é pra onde estou

Não preciso de uma lista de méritos. Nenhuma prova é necessário buscar. Nenhuma opinião. Nem critérios, sejam quais forem; Passíveis ou não de consequências. Atitudes boas ou más, não importa. Virtudes e vícios sejam esses de época ou humanamente universais, não importam nesse caso para nada. O céu não se impõe sobre a terra. A nuvem não se impõe sobre o céu. O terra não prende o homem, o homem não passa da terra. O sol brilha no que quer que alcance. Toca no que quer que seja. O sol toca no céu, na nuvem, no homem e na terra, sem pedir permissão, sem perguntas, sem acordos, sem imposição. O céu passa através do sol ou o sol através do céu? Levantar-se é ceder controle a terra. É reconhecer sua natureza. Reconhecer não... antes, mais primordial, é tocar sua natureza. Sua natureza de firmeza e condição de apoio para pés que antes de nascer já conheceram a terra. Através dos ancestrais. O pé é no formato apropriado para terra. Os dois foram indo juntos um para o outro. A mente agressiva e confusa também tem seu mérito, nem mais, nem menos. Ela imprime pensamentos, o sistema nervoso reage a estímulos com reação de lutar ou fugir, mesmo que não haja risco real. A paranóia não se impõe nem negocia sua presença. Assim como a volição de ir além da paranóia e retornar a natureza primordial, que é o não-medo. O destemor. Assim como o sol não teme a si próprio e alcança a nuvem e o céu que não temem ao sol, cedem a ele, e o sol cede a eles, o que ocorre na mente agressiva e confusa é apenas um processo da mesma natureza. O movimento, a reação, é claro que há. Sentimos isso. A folha faz fotossíntese quando o sol a toca. O céu muda temperatura. A terra se deforma quando a empurramos para baixo para usar de apoio aos nossos pés quando damos um passo. E nós nos deformamos andando para frente. Tudo acontece em constante movimento que a mente consciente não é capaz de abarcar. Por uma limitação computacional, mecânica. O que acontece na paranóia, no stress, na ansiedade, no medo, na alegria, na segurança, na felicidade, no conforto, são todos relativos a mente. Só um modo da mente gerar sensações, estímulos sensoriais agradáveis por se sentir segura. A mente não quer mudar. Quer grudar e manter tudo congelado. Quer mudar somente para ser capaz de agarrar a agua que só escorre. É sofrimento que se chama esse processo. Apego. Tem o mesmo mérito que o próprio sol, que a própria terra. Que cada estrela no céu. Tem a mesma natureza: A de passar.

O imutável, a verdadeira estabilidade está antes do pensamento. Quando há um contato da mente com o corpo e a mente aceita o corpo e o corpo aceita a mente. Há dúvida e insegurança. O tempo todo. Se manifestando na mente. Há julgamentos. Buscamos provas para nós mesmos que somos adequados. Tentando mutilar, amputar de nós o que não agrada os outros. O que não nos trás mais segurança e certeza. Mas segurança e certeza são formações mentais. Que a mente é atraída como gravidade ou imã, ou hábito, biológico, para lá. Existe uma camada de medo e orgulho. Que busca apenas a segurança de que vamos continuar existindo. Busca validar e garantir cada vez mais isto. Quer o tempo todo provas e garantias. Define critérios do que é para puxar e do que é para empurrar. A saida é pela tangente. Este labirinto não tem caminho de saída. Quanto mais rápido e eficiente a mente consegue conquistar o que deseja, mais rápido e eficiente se perde no labirinto. A saida é pela tangente. O labirinto é a própria casa. Mas a mente se convenceu de que precisa achar uma saída, de que há uma saída em primeiro lugar, e de que se não encontra-la, está em perigo. Esta é a ilusão que é enganosamente real e sólida. Esta pessoa sempre estará em um labirinto. Porque opera de dentro para fora e não de fora para dentro. Se fechou tão bruscamente em um casulo de proteção que só o que o casulo diz, perdido tentando encontrar a si mesmo, é confiável e real. E o casulo diz: Perigo, precisamos resolver. Com mais força. Com mais certezas. Com mais motivação. Com mais sacrifícios. Com mais inteligência. Com mais paranóia. Nunca sair perdendo! A saida é pela tangente. Olhar o corpo. Observar a respiração, que não se importa com nada do que a mente pensa, simplesmente acontece. Não por você. Não importa como funciona nem por que. A saida é pela tangente. Relaxar. Soltar. “Ok”. Hmm. Descansar exatamente na passagem. Descansar sendo levado pela correnteza de um rio, com a gentileza que sol brilha. Com a violência que o sol brilha. Com a inevitável presença. Estamos ai. Nada de errado. Estamos passando. Sempre estivemos. O sol também. Só a mente se intimida. Quando existimos (como ato) além da mente, ou antes da mente, ou apesar, ou “entre” a mente, percebendo que estamos sendo levados e trazidos de volta. Percebendo que não se vem nem se vai a lugar algum. As estrelas e as formigas e eu que está aqui. Só a mente vai a “lugares”. E volta para “lugares”. Só a mente joga fora o contato direto pelo contato com suas criações daquilo. Por isso acha que volta. O lugar nunca é o mesmo. Mas a mente acha que voltou. Ou que está indo. Que está maior ou menor. Não há tamanho. Não há tamanho. Critérios. Nada. Na realidade simples, simples, simples... permitir-se misturar. Entrego meu coração ao mundo. Mas... Ele sempre foi do mundo. Nunca meu pra entregar ou não. Ele sempre foi o mundo. E nunca foi. Ser e ter sido é se tornar e destornar. é Julgar. Discernir (sob critérios). Ah isto é habitar na mente. Entendi. (pra onde acabei de habitar e retornei agora para mente, indescritível é um termo que no engano chega perto, porque faz com que a mente desista de encontrar uma descrição. Ai está.... De novo e de novo)

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