sentiu vergonha de escrever alguma coisa hoje. Neste dia que começou mal dormido, esquerda ou direita, nada parecia ser apropriado. Descanso ou esforço, estaria errado.
Ou traia a sí mesmo ou arriscava mais um passo em direção a demissão por queda de performance.
Hoje mentiu mas fez isso por si mesmo e se sentiu bem. Podia contar com si mesmo.
A tarefa nunca ficava pronta. Há alguns anos era assim. Ia empurrando com a barriga. E era doloroso.
Pode ser que só precisava aceitar que há somente o surgir e o desfazer? E seu sofrimento era o apego a ilusão de manifestar um programador cheio de energia, foco e dedicado? Pronto para entregar a tarefa e sentir aquela pulsação de adrenalina. Cortisol. Café. Stress.
Fazem 10 ou 15 anos que o dia termina incompleto. Não faz ideia do que é sentir aquela coisa de “Hoje já encerrei o trabalho”.
Há sempre uma ponta solta. Uma ponta do tamanho de um guindaste. Guindaste grande.
Sentiu as pneumáticas rangerem. Apesar da eletricidade estar chegando, recebendo... O esforço que fazia era triste. Se levantou quantas vezes igual Bigmac contra Kimbo Slice?
Pra ir a nocaute outra vez. E levantar pior.
A lamina corta a noite
Seu fio, o mais afiado
Encontra com o roxo em sua casa velha
O roxo o acolhe. É como uma gota de chuva retornando para...
Retornando para onde pertence.
Na vida adulta Robespiere se apaixona
As relações com o tempo se perdem
O contato
Guardou este segredo só para si
Não havia porquê compartilhar
Morreu de velho sem memórias
Não era o xixi. Nem o sol. Nem molhar. Nem proteger da chuva.
Nem estavam mortos.
Era a estação.
Because how we ended up in this state
Is not what's driving me so crazy
It's all the questioning that follows
And all the things you know you don't know
It's quiet now, but it seems to me that
without the noise, I'll create something.
Cause it turned out to be a long, long, long time,
and I'm feeling so gone.
It turned out to be a long time,
and I'm feeling so...
oh, whatever...
so jaded, complaining.
Oh, whatever...
sounding old and full of shit.
It's calm right now.
That's how I want it to be.
And that house torn down is where I'm going.
Eu poderia ter criado um único post porque eu criei o primeiro “errado”, perfeito. Editando ele. Lembrei de dizer algo sobre o negócio depois de já ter enviado. Eu poderia editar, é fácil... Mas eu acabei com dois posts ao invés de um! O “erro” duplicou a quantidade de output criativo, mané.
Três posts na verdade, com esse agora.
Ta pensando o que rapaz! Aqui é o CULTO DO MAL FEITO
O mais impactante de ler essa parada do Cult of Done, é que é uma permissão DIVINA do DEUS DA RAZÃO (e.g: só precisamos de uma explicação conveniente de qualquer autoridade que tenha criado algum “método”) ... para ABRAÇAR O FEIO.
Como tudo é rascunho, nunca tá pronto, não tem pronto...
A gente para de ficar julgando como se fossemos críticos de alguma coisa pagos por uma revista... E começa a ver que tudo é feio. A gente é feio. O blog é feio. Ta tudo torto. Ta tudo desalinhado. Quando tenta arrumar, piora. Fica feio. Fica parecendo que tá escondendo, tá maquiando, mas tá mal feito, vergonhoso...
Tudo ao nosso redor está passando vergonha. Algumas coisas estão só escondendo e da pra ver o olhinho pelos buracos da máscara. A dobra da fantasia é sempre exposta...
Então cada ato, cada ato... é uma escorregada. Porque a mídia é escorregadia, o meio e o método são escorregadios, tortos, não cabem, é estranho, é esquisito, é acidental... é custoso, é arbitrário, não vai pra lugar nenhum, pra ninguém, pra nada.
Eu sou front-end, e minha vida se resume a fazer um botão depois do outro. Pensando: Quem é o VIADO que vai clicar nesse botão?
Nem tem viado mais. A palavra já não é mais engraçada. É velha, é fora de moda. Nem o homofobismo isso carrega mais... Ofende mais quem fala do que quem tá sendo ofendido no contexto cultural de hoje em dia...
E eu estou sempre com isso na cabeça... chamando uma pessoa icogita, suposta... que eu nem vi a cara, que talvez nem chegue a existir (clicar no botão) de VIADO.
Recentemente, tipo ontem, eu li sobre o The Cult of Done. São 10 princípios, eu acho, não me lembro quantos são. Mas foi pra mim uma confirmação de uma crença que eu tinha sobre mim mesmo e sobre a vida. Quantidade é sempre melhor que qualidade. Mais é melhor que menos. Tudo é rascunho. Não existe revisão nem edição. Se saiu ruim, faz outro ou joga fora. Ideias na minha cabeça ou anotadas não vão pra lugar nenhum, jogue elas “fora”, como em “pra algum lugar que algum exaltado possa achar legal e fazer”. E que mais? Ah é: Terminar esta coisa é já estar fazendo a próxima. Porque quando isso estive pronto, isto desaparece.
Algum role sobre criar em publico, que é lançar as coisas pra “galera”. Pra lá. Porque também ou desaparece, ou a galera usa, fala sobre, acha as falhas, etc.
Criação é um processo de destruição, dai. Porque eu quero mesmo que essa tarefa MALDITA que eu sou OBRIGADO a fazer, desapareça. E fazer isso com a próxima tarefa que eu sou OBRIGADO a fazer. E quem sabe, em algum momento... Não. Sempre vai ser assim. Esse desespero do caralho. Só que esquece papai, sai criando, kinemloku